terça-feira, 10 de maio de 2011

Passos perdidos, onde desfilam visões
Onde certezas são vastos turbilhões
Palavras que nunca disse voam em ventos,
Gestos que nunca fiz são meros pensamentos

Deste meu existir, dorido, meio partido,
Minha luz, nesse teu mágico olhar... vago... querido...
Afastando estes meus fantasmas da minha alma,
Que atormentam minha palpitação, já nada calma.

Qualquer caminho, sombrio ou sem fim,
Terás sempres parte, ou restos de mim
À brisa, que me beija, deixo meus lamentos
É apnas mais um destes dias nevoentos...

Eu sei... tu sabes... meus gestos são afagas...
Fingirei que não escrevi estas palavras,
Tu fingirás que não as leste, mas eu sei...
E tu sabes... que todo amor é mais que falei

terça-feira, 26 de abril de 2011




Aconteceu, mais uma vez...

Sinto-me num jogo de xadrez,

Indeciso, atenção permanente,

Sabendo que no fim perco sempre


Trespassado pela espada da tristeza,

Caído, ferido, sem qualquer defesa,

E engolido pela dor... tão absurdo...

Já cego e surdo, perdendo tudo


Uma lágrima, um último suspiro,

Levado pelo nada que respiro…

Vem… pisando branco ou preto,

Te darei, este palpitar de segredo

Batendo, forte ou fraco, se escondeu,

Cada pulsar é mais teu que meu,


De tudo, que é nada, e tudo é ilusão

Nesta penumbra, resta-me a tua visão,

Arranco a lâmina, fria e cortante

Fica a cicatriz e a dor agoniante

Neste corpo tão meu como inútil

Este amor, tanto de grande como de fútil.


sexta-feira, 8 de abril de 2011



LUA
Lua que vai, vem e volta,

Como amor que foi e se revolta
Em mares rios ou lagoas
Espelhos ou simples pessoas,
Vem, sem sentir, simples e nua,
E flutua... sendo apenas lua.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entre a Espada e a Parede
Lágrimas percorrem-me dia após dia,
Temo ser, apenas, uma sombra da paixão
Que me percorre a frágil alma vazia,
Na lágrima de amar a diva da perfeição

Paro, para ouvir o meu coração bater,
Sei que nada me pode matar a sede,
Posso fugir do fogo mas continuo a arder,
É como estar entre a espada e a parede...

Chegas-te, e levas-te contigo o meu chão,
Piso o nada, e perco-me no passo que se sucede,
Vacila o coração, não sei que outras sombras virão,
É como estar entre a espada e a parede…

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Veio na Onda
A onda que invade o vazio,
Dá cor à pálida e seca areia,
A salgada orla do mar frio
Que aquece o olhar que vagueia

Mãos cerradas e o olhar perdido,
É saudade, encontrada na miragem,
Num falso palpitar curto e ferido,
É tudo apenas a tua imagem

Vem na onda, um pedaço de nada
E leva ela, uma parte de mim
Sobra em mim, minha parte amaldiçoada,
És tu, um mar, um jardim, sem fim...

domingo, 12 de dezembro de 2010


O Pássaro


Um pássaro voava leve e contente,

Uma seta lhe acertou, com um grito estridente.

Para o pássaro o sol se rasgou,

Sem asas nunca mais voou.

Cansado e magoado não mais se levantou,

E as cantigas de amor, não mais assobiou.


O cruel caçador na noite caçava,

Sem piedade, a seta atirava,

Por entre a noite escondido,

Atirou ao coração mais perdido,

Infiltrado no som da escuridão,

Escolheu o mais leve coração.


No brilho dos seus olhos se esconde Cupido,

De traz do seu olhar quente e perdido…

Eu já não tenho asas para voar,

Uma seta acabou de me aprisionar.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sentir pareceu voar

Aprendi, sentindo, a voar
Voei, mentindo, para sonhar
Planei nos assobios do vento,
Ignorando qualquer lamento

Dá-se o momento inesperado,
E a queda… como que caçado
O ar se transforma um rodopio…
Nas minhas asas não confio

E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Voar… Não sei se acordei!
Cair… Não sinto que sonhei!

Aprender, desaprendendo a cair
Voar sem cair, só se não sentir!
Sentirei, escondido na memoria,
Voar, não passou de uma história…